quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Que 2013 me traga

Um cu com enchimento de chumbo, que me impeça de levantar nos dias que mais vale estar mesmo quieta.
Asas nos pés, que me façam voar nos dias que valham mesmo a pena ser vividos.

Detetor de inquietação

Oitenta por cento da noite com insónia. Aquele pensamento recorrente "só queria que inventassem um gravador de pensamentos".

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Done

 
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Era só mesmo para ser o título e a imagem, mas não consigo deixar de reparar como é curioso... tanto em tão pouco.

Escolha

Se eu me encontrasse com esta imagem num poste qualquer, tirava todos os papelinhos.


sábado, 15 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Caliente

Senti que te aproximavas no meio da noite. Vinhas até mim, e eu libertava todo o calor que tinha para te dar. Aqueci-te, sinto que te aqueci. Estavas cada vez mais perto - e tu também, cada vez mais quente. A nossa relação era escaldante, talvez um pouco demais para ti. Foi então que tocaste nos meus botões. Mas o que parecia ser uma atração infinitamente poderosa, depressa se revelou uma desilusão. Eu arrefeci, tu também. O espaço onde estávamos arrefeceu. Tinhas-me desligado.
Ass.: O Aquecedor

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cólica cardíaca

Quem já teve uma cólica a sério vai perceber o que digo. Mas é preciso remeter-se a uma boa cólica, daquelas valentes, que dá suores frios e arrepios de dor, que dá a sensação de morte eminente.
Volta e meia, sofre-se de cólicas cardíacas.
Na tentativa de se libertar dessa opressão ridiculamente persistente, o coração insiste em apostar numa alternativa aos flatos, já que esse órgão é fisiologicamente incapaz de os produzir - as palpitações. Não!, disse mal - os estrangulamentos cardíacos, será mais adequado. São tantos e tão fortes, que reduz o "coração a sair pela boca" a uma expressão para meninos.
O corpo treme todo, da cabeça aos pés. A visão fica turva, o pensamento toldado. A barriga aperta, como se levasse um soco mas não conseguisse sentir dor. O corpo contrai. A respiração transforma-se num arfar aflitivo. Quase se consegue ver a olho nu a descarga de hormonas que se lançam na corrente, completamente desorientadas: adrenalina, dopamina, endorfinas... todas as "inas" que, presentes em quantidades vestigiais são, ainda assim, capazes de reduzir o nosso corpo e tudo o que está dentro dele a um autómato imbecil. E quando se exacerbam os sintomas em simultâneo? É a mímica perfeita de um ataque de pânico e ansiedade. Como se nos cruzássemos com um leopardo enfurecido e descobríssemos que temos os pés colados aos sapatos, e os sapatos colados ao chão.
É mau, mau demais. Como uma doença psiquiátrica que alterna períodos alucinatórios com momentos de lucidez. Como se não nos pertencêssemos mais. Não nos pudéssemos prever, não nos reconhecêssemos naquelas reações biológicas estranhas e desprovidas de sentido, na inacreditável falta de bom senso e sensatez.
A má notícia: não há sanita p'ra aliviar este tipo específico de cólicas.
A magnífica notícia: duram muitíssimo pouco.
Depois, é só o tempo de nos esquecermos o quão exasperante e nocivo para o corpo é, para logo voltarmos a suspirar por um momento mais assim. E põe-se tudo em causa, como um viciado que troca a vida toda por uma droga qualquer.